domingo, 14 de dezembro de 2008

CEGO DE NASCENÇA. POR PECADO DOS PAIS?

INTRODUÇÃO

Este é um assunto interessante e que se reveste de um conteúdo muito especial, porquanto é explorado por quem defende o princípio da reencarnação e que atribui aos portadores de deformidades físicas uma culpa vinda de seus pais ou mesmo de gerações passadas!
Em verdade, tal tese é derrubada literalmente nestas palavras:

Is 26:14
"Mortos não tornarão a viver, sombras não ressuscitam..."

Hb 9:27
"E assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, e, depois disso, o juízo..."

Pois bem, sabendo-se, então, que ninguém retorna à terra para assumir pecados de vidas anteriores, como deve ser avaliada esta ocorrência, envolvendo um cego de nascença curado por Jesus, assim narrada no livro de João?

Jo 9:2-5
"... Mestre, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?
Respondeu Jesus: Nem ele pecou, nem seus pais; mas foi para que se manifestem nele as obras de Deus.
É necessário que façamos as obras daquele que me enviou enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar.
Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo."

Após este diálogo, Jesus curou o cego. Com isso, mostrava para o mundo, através daquele milagre, o poder que recebera de seu Pai para a execução de seu projeto de salvação de vidas.

DIAS ATUAIS

Todos sabemos que os casos de nascimentos de deficientes continuam nos dias atuais -não só como o exemplificado acima, mas, também, com outros tipos de anomalia. Aí alguém poderia questionar: - Naquele episódio, o cego de nascença viera ao mundo para que, através de um milagre, o poder de Deus se manifestasse pelas mãos de Jesus. E como justificar os casos de hoje, já que, fisicamente, Jesus não se encontra entre nós? Por que, então, nascem pessoas assim?
Vejamos, alguém pode duvidar que o nosso Pai, desde a criação do mundo, sempre quis o melhor para o homem? E que esse melhor consistia (e ainda consiste) em dar ao homem uma vida com liberdade, sem iras, sem corrupções, sem guerras, sem invejas, sem traições, enfim, uma vida sem pecado? E por que esse melhor não foi plenamente alcançado pelo homem? A Palavra nos diz que foi em razão do pecado cometido por Adão e Eva, ao se submeterem ao adversário! Quem crê em Deus e nas Escrituras não tem dúvidas sobre isso! Então pode-se admitir que o deficiente paga pelo pecado praticado por eles? A resposta é: não!

O MELHOR DO PAI

Bem, vamos nos basear no princípio de que um pai (aqui da terra) sempre quer o melhor para seu filho - imagina oferecer-lhe conforto, educação, posses materiais e tudo de bom que exista no mundo! Ora, se assim se comporta o pai do plano físico, não cabe em nossa cabeça imaginar nada diferente, partindo de nosso divino Pai. Pelo seu poder, Ele tem plenas condições para nos dar tudo, todavia, entre Suas ofertas existe algo que ninguém pode nos oferecer: a salvação de nossas almas!
Em razão disso, sabedores de que Ele só quer o melhor para o homem, não seria o caso de não permitir o nascimento de pessoas deficientes? Ora, como não estamos no paraíso celestial (o homem bem que teve a sua chance de viver eternamente num paraíso, mas não soube aproveitá-la!), isso não ocorre. E é por não estarmos no paraíso que, de vez em quando, temos notícias de pessoas nascidas com deficiências, algumas até irrecuperáveis aos olhos dos homens. E por que? Exatamente para que o poder de Deus, com o seu projeto de salvação de almas, seja manifestado através delas!
E como isso acontece? Basta que prestemos atenção aos fatos. Vejamos. Em se tratando de deficientes físicos recuperáveis pela medicina, quando algum deles é alcançado por uma recuperação e o transforma para melhor (por exemplo: a cirurgia reparadora de algum membro que o possibilite andar sem auxílio de aparelho ortopédico), tal acontecimento, sob a ótica dos crentes em Jesus, sem sombra de dúvidas, constitui-se num milagre e só possível graças à misericórdia de Deus que direcionou os trabalhos cirúrgicos! É uma clara demonstração do poder divino! E o ímpio, como vê isso? Infelizmente, pensa assim: a recuperação só ocorreu em decorrência dos recursos materiais e da perícia médica! Aí está a grande diferença, enquanto um dá graças pela manifestação do poder divido; outro agradece aos recursos da ciência!

A BÊNÇÃO ESTENDIDA

Agora, um detalhe importante. Quando o Senhor concede tamanha bênção a um deficiente, ela só alcança o coração dele? Evidentemente, que não! Nós não podemos nos esquecer de que ao lado do deficiente existem pais, irmãos, irmãs, parentes próximos ou distantes, amigos, ou mesmo desconhecidos que, torcendo por sua recuperação, alegram-se sobremaneira e se quebrantam quando vêem ou têm notícias de que o deficiente obteve um êxito (mesmo parcial) na luta contra o seu incômodo! Tal alegria tem um nome: Espírito Santo; aquele que nos toca quando somos colocados diante de uma obra miraculosa de Deus! E qual é o efeito dessa obra no coração das pessoas: o seu despertar para as coisas do Senhor e, por conseqüência, a sua conversão aos caminhos de Jesus!

O DEUS DO IMPOSSÍVEL

Abordemos, agora, os casos de pessoas nascidas com enfermidade considerada pela medicina como irrecuperável. O que dizer delas? Para o crente não existe o impossível, de vez que em seu coração guarda estas palavras:

Lc 1:37
"Porque para Deus não haverá impossíveis em todas as suas promessas,"

E entende que, se for de Sua vontade, a cura física do enfermo ocorrerá - no tempo do Senhor, e não naquele que o homem possa entender como o ideal!

SALVAÇÃO

Na realidade, o que transcende à cura física de uma pessoa é a salvação de sua alma! - o grande projeto do Senhor para a humanidade, desde o início dos tempos! É de se lamentar que nem todas as pessoas pensem assim. Algumas, talvez até raciocinam desta forma: "Eu sou uma pessoa religiosa, não sou criminoso, não tenho vícios (apenas tomo uma cervejinha socialmente!), vou à igreja todos os domingos, sou muito caridoso e, por acreditar em Deus, já estou salvo!" Ledo engano! A Salvação não é um bem do qual uma pessoa possa tomar posse e sentir-se seguro! Ela se constitui num processo dinâmico que deve ser renovado a cada instante, mas não por nossas obras, e, sim, pela misericórdia de Deus! Sem Ele nada somos! E para herdar a salvação, antes que mais nada, precisamos estar em santificação, sem a qual ninguém será salvo(Hb12:14). E só Deus tem poder para auxiliar o homem a encontrar o caminho do Seu projeto de salvação: o Senhor Jesus!

A REALIZAÇÃO DO PROJETO

Quando se trata de salvação, o Senhor se vale de todas as formas para demonstrar o seu grande amor pelos homens, utilizando-se, algumas vezes, de pessoas (selecionadas não por sua aparência exterior!) para a execução de Suas obras! Tanto pode utilizar-se de alguém com dotes físicos perfeitos, como de outras desprovidas de beleza aparente, até mesmo deficientes, como foi o caso do cego de nascença citado no início desta mensagem! Como é maravilhoso ser usado pelo Senhor em Seu projeto de salvação! Vejam bem esta maravilha: no meio de muitos milhões de homens alguém ser eleito como obreiro do Senhor! Ressalte-se que quando Ele indica um, não há força capaz de modificar Sua decisão. E por que? Porque o Senhor sonda os corações dos homens e sabe com quem pode contar! Não importa quem seja a pessoa - bonita, feia, alta, baixa, homem, mulher, perfeito fisicamente ou não, pobre, rico, etc. O que Ele tem em vista é o potencial de obediência de seu eleito e de amor que guarda em seu coração! O interessante é que o Senhor pode valer-se de uma pessoa para salvar uma única outra, ou para salvar multidões!

NÃO AVALIAR PELA APARÊNCIA

Nas Escrituras encontramos o caso de um eleito pelo Senhor para ser rei de um povo, episódio esse que relembramos aqui.

1Sm 16:1
"Disse o Senhor a Samuel... enviar-te-ei a Jessé, o belemita; porque dentre os seus filhos me provi de um rei."

Em Belém, diante dos filhos de Jessé, Samuel assim se comportou:

1Sm 16:6
"... entrando eles, viu a Eliabe, e disse consigo: Certamente está perante o Senhor o seu ungido.
Então o Senhor advertiu a Samuel, assim:"

1Sm 16:7
"...Não atentes para a sua aparência, nem para a sua altura, porque o rejeitei, porque o Senhor não vê como vê o homem. O homem vê o exterior, porém o Senhor, o coração."

Após isso, passaram pela frente de Samuel sete dos filhos de Jessé, porém todos foram rejeitados. Por último, foi chamado Davi, um pastor de ovelhas sobre o qual o Senhor assim se manifestou, em palavras a Samuel: "... Levanta-te, e unge-o, pois este é ele". Davi não era o mais belo e nem o mais altos dos irmãos, era apenas o caçula, um humilde pastor, porém de coração generoso.
Davi, mais tarde, viria a se constituir no mais ilustre rei de Israel. E o seu exemplo de fidelidade arrebanha, até nos dias de hoje, novos adeptos ao Senhor.

CONCLUSÃO

Como se nota, no projeto de salvação do Senhor há escolhidos, sim, não por suas aparências físicas, mas, e sobretudo, pelo que têm em seus corações.
Aí, então, fica uma questão ainda a ser definida. E aquele que está entre nós com alguma deformidade que o impeça até mesmo de raciocinar, como pode ser salvo! Ora, quem não raciocina, não tem em seu coração a maldade que o mundo inocula nas pessoas. Por esse motivo, será demais admitir que tais almas já alcançaram a misericordiosa salvação do Senhor? É claro que não, porquanto além de não pecarem, colaboraram no projeto do Senhor despertando no coração de outras pessoas o amor ao próximo e motivando-as a buscar Aquele, e único, que pode dar ao homem a sua salvação!
Amém!
QUE A PAZ DO SENHOR JESUS ESTEJA COM TODOS !

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